Tuesday, March 29, 2011

O Melhor Clube do Mundo

Uma colectividade que se queira assumir como tal, implica uma enorme noção do colectivo, do que é Ser e Fazer parte de um grupo, de um conjunto, de um aglomerado coeso de pessoas em torno de projectos, sentimentos ou ideais. Quando penso num Clube Desportivo, lembro-me imediatamente daqueles que julgo ter doses imensas de adeptos e uma história centenária, com resultados desportivos inigualáveis. Penso no Barcelona ou no Real Madrid, no Manchester ou no Milan (vou deixar os Portugueses de lado por razões óbvias). Lembro-me dos estádios cheios com milhares de fãs, do amor que os move, da fé inquestionável que depositam nos seus clubes.

Lembro-me de tudo isto e depois é inevitável não pensar instantaneamente no Acro Clube da Maia. Não é pela história centenária ou pelos milhares de adeptos; não é pelos contratos milionários dos seus atletas ou pelos milhões que facturam anualmente; nem tão-pouco pelas infraestruturas desportivas, pelos seus estádios ou recintos. É pela sua ALMA.

A Alma não que quantifica. Não se qualifica. Mesmo que se consiga, eu não sei defini-la. Mas sente-se! Não sei explicá-la. Só a sinto.

Todos sentimos esta Alma durante o MIAC. É inevitável. As pessoas perguntam-me como é que é possível que se mobilizem tantos amigos e voluntários para o MIAC. “Não sei!” Acho que é algo que se sente e não se explica. Particularmente extravaso de orgulho por ver tantos amigos do ACM – no meu caso, é sobretudo por ver tantos ex-atletas a voltar à casa que ajudou a torná-los melhores (e gosto de pensar que o contributo deles no MIAC é a assunção disso mesmo) e por ver tantos pais de ex-atletas (acho também que é uma retribuição inestimável pelo o que o ACM tentou fazer pelos seus filhos).

Mas sentimos também esta Alma nas excursões que acompanham as provas. A festa que se faz a cada deslocação, o companheirismo entre todos, a devoção que se põe nas actuações de cada ginasta, o empenho para que tudo esteja sempre bem com todos. Saímos cedo e chegamos tarde, mas é sempre em festa.

Depois vemos esta Alma nos Pantomimas. O clube uniu-se em torno dos Pantomimas. Os Pantomimas assumiram totalmente o clube. E não podia ter corrido melhor. Vê-los em palco, pela primeira vez de forma “real”, na semi-final, foi, para mim, comovente. Era o ACM espelhado naquela garra, alegria e determinação. Ao ver as fotos, repito, não sei o que é mais impressionante: se as dos ginastas se as do grupo de fãs! Que grupos!!

E hoje, no Distrital de Trampolins... Que coisa incrível. O Renato teve a sua primeira prova de Trampolins e apareceu uma enorme família para o apoiar. E isto depois de 12 horas de prova no dia imediatamente anterior. E quem, da Elite, não pode aparecer, mandou mensagens de apoio e incentivo. Não há maior demonstração de carinho. E da Alma do nosso ACM.

Podia continuar com exemplos, com nomes de tantas pessoas que se esfalfam diariamente, que estão nas provas a contribuir para o clube, que prescindem de fins de semana, de dias com a restante família, que usam o seu tempo livre não para descansar mas para trabalhar no / com o ACM.

É esta a Alma de que falava. É por isto que, resumindo o possível num texto que cabe numa página A4 e conseguindo não falar em qualquer ginasta, treinador ou resultado desportivo, o Acro Clube da Maia é, simplesmente, o Melhor Clube do Mundo.

Lourenço França

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